Fiquei triste ao observar tamanha desolação por aquele lugar que eu esperava estivesse protegido e acarinhado. Não compreendi porque é que, no princípio do mês de Setembro de 1960, o Governo Português tinha realizado, na Universidade de Lisboa, o Primeiro Congresso Internacional dos Descobrimentos, com toda a pompa e circunstância, só para bradar aos céus e a todo o mundo a grandiosidade dos Descobrimentos portugueses, quando afinal desprezava por completo o maior símbolo desses mesmos descobrimentos que é o campo “académico” da Escola Náutica em Sagres!

 
 
MATARAM O INFANTE D. HENRIQUE
por Manuel Luciano da Silva, Médico
 
 

Depois da nossa lua-de-mel, já visitámos o Promontório de Sagres onze vezes! Até algumas vezes acompanhados dos nossos dois filhos! A última vez que lá fomos foi no Domingo, 20 de Setembro de 1998. Fomos acompanhados por um grupo de cinquenta pessoas, membros da Associação Médica de Profissionais de Saúde Luso-Americanos, da qual sou presidente; estávamos no sul de Portugal para participarmos na Quinta Convenção Internacional Médica, nos Hospitais de Faro, Beja e Évora.

Coordenando a parte médica com a turística, o nosso grupo quis visitar também a Escola de Sagres. A nossa guia em Lagos fez explicações entusiásticas em frente à Estátua de Gil Eanes, como sendo nativo de Lagos e que afinal passou o Cabo Bojador, destruindo para sempre a lenda do “Mar Tenebroso”. Depois, em frente à Estátua do Infante D. Henrique, também em Lagos, relatou, com muita genica, o aspecto científico da Escola fundada pelo Infante D. Henrique, de tal maneira que, quando todos entrámos na camioneta, sentimos um crescendo de entusiasmo e curiosidade para vermos realmente essa instituição centenária que tanto impacto teve na História do Mundo.

A primeira coisa que notei quando chegámos à fortaleza de Sagres foi de que a entrada estava vedada. Tivemos que pagar bilhete. Bom, pensei, parece que isto já tem mais ordem. Uma vez dentro do recinto da fortaleza, parámos em frente à grande Rosa dos Ventos. Eu tinha pedido à guia para ser eu a explicar em inglês aos meus colegas qual era o seu significado e a relação que tinha com a Escola dos Descobrimentos. Posto isto, em menos de três minutos, estávamos todos a caminho da entrada do edifício que é considerado a Escola propriamente dita. Íamos com grande expectativa de vermos coisas e instrumentos do tempo do Infante D. Henrique e dos seus marinheiros, todos relacionados com a epopeia dos Descobrimentos!

Mas o impossível, o inacreditável é que nos recebeu dentro da Escola Náutica! Fomos roubados! Velhacaria! A primeira vez que paguei entrada e não nos mostraram ABSOLUTAMENTE NADA de Descobrimentos!

Sabem o que é que tinham dentro do edifício? Uma exposição fotográfica de vários arquitectos portugueses. (E eu não tenho nada contra os arquitectos, pois o nosso filho mais velho é arquitecto.)

Não havia ABSOLUTAMENTE NADA exposto dentro da Escola Náutica que estivesse relacionado com Descobrimentos. Nem um mapa antigo, nem um astrolábio, nem uma bússola, nem um simples modelo duma caravela, nem uma simples corda, nem sequer uma âncora! Que situação lastimosa! Que coisa horrível! Ficamos todos desolados e desapontados!

Não se compreende esta situação, uma vez que este ano Portugal está tão empenhado em glorificar os Descobrimentos, com ênfase especial no descobrimento do caminho marítimo para a Índia, que foi afinal o sonho, o objectivo principal do Infante D. Henrique!

Esta é uma situação deplorável de ludíbrio, de engano, de vender gato por lebre aos visitantes. Como ficariam as pessoas se ao visitarem o Museu dos Astronautas Americanos no Cabo Kennedy, em vez de foguetões, cápsulas, fardamentos dos astronautas, fotografias espaciais, encontrassem lá uma exposição fotográfica dos arranha-céus de Nova Iorque, de Chicago e de Washington?!

Na Escola Náutica de Sagres, nem sequer lá tinham uma simples pintura do Infante D. Henrique! Mataram-no! Assassinaram o Infante! Malvados irresponsáveis! Haveis de ter um lindo enterro! E quando morrerdes, ireis todos direitinhos pró inferno! Amén! Assim seja!

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PARTIRAM O NARIZ AO INFANTE D. HENRIQUE !
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Gosto muito da Ilha de São Miguel. Já lá fui cinco vezes. Fico sempre deslumbrado com os contrastes das belezas naturais verdejantes e a grandiosidade dos cones e das crateras vulcânicas, quer das Sete Cidades, quer da Lagoa do Fogo!

Ao contemplar aqueles tão majestosos panoramas, medito por instantes, quão ruidosas e monstruosas deviam ter sido as lavas incandescentes, originadas das entranhas da Terra, para dar forma àqueles montes e vales, contornados suavemente e curados pelo tempo de muitos milhares, senão milhões, de anos!

De qualquer lugar em São Miguel podemos observar a interligação íntima que existe entre os elementos da Natureza - o mar, céu, nuvens, bocas de vulcões, montanhas, elegantes criptomérias, vacas bucolicamente pastando nas encostas dos montes, pincelados com paredes coloridas de hortenses - por toda esta beleza sui generis, eu desejava ser poeta para fazer rimar e declamar toda aquela maravilha paradisíaca que nos estimula tão profundamente para perguntar a nós mesmos, onde está o Poder Omnipotente que criou tamanha majestade?!

VILA FRANCA

De todas as povoações de São Miguel, aquela por quem tenho uma simpatia especial é Vila Franca do Campo. Gosto do seu nome: Franca. É um nome positivo e convidativo. Mas além disso fascina-me a sua história, por estar ligada ao Príncipe Dom Henrique, porque foi ele que deu ordem para que se construísse ali a primeira igreja nos Açores, dedicada a São Miguel, e se fizesse de Vila Franca a primeira capital dos Açores. O Arcanjo São Miguel é também padroeiro de Oliveira de Azeméis, no Continente, onde eu fiz a minha Primeira Comunhão! Curioso que o Santo-mor da Capela da Universidade de Coimbra, onde me formei (1957), também é o Arcanjo São Miguel!

 


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  • Updated:
    November 18, 2011