O Professor Francis Rogers, que foi professor de Português na Universidade de Harvard, quis meter o nariz onde não era chamado e chegou a propor, quando era vivo, para a doença se chamar Doença dos Açorianos. Eu protestei, escrevi várias cartas para vários lados, porque já sabia da literatura médica mundial que a Doença Machado-Joseph existe em todas as raças: na Europa, na América, na China, no Japão, etc. Não devemos de maneira nenhuma chamar a esta doença “Doença Açoriana”, até porque os primeiros casos foram do Continente para os Açores na altura do povoamento do Arquipélago!

A explicação que se dá é que a doença apareceu pela primeira vez em determinado ponto do globo porque houve uma mutação ou mudança no gene do cromossoma 14, isto é, a folha ou agulhinha do ramo 14 do “blue spruce” - por razões que se desconhecem - secou ou começou a ficar defeituosa e depois esse defeito foi captado pelas das pinhas do “blue spruce” e daí transmitido às outra gerações de pinheiros...

Quem quiser saber mais informação actualizada sobre o número de pessoas que existem no Continente e nos Açores com a Doença Machado-Joseph, pode escrever à Professora Doutora Paula Coutinho, Departamento de Neurologia, Hospital de Santo António, Porto, Portugal. Nos Açores, podem contactar a Professora Doutora Maria Manuela Lima, Departamento de Antropologia, Universidade dos Açores, Ponta Delgada, São Miguel, Açores.

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MATARAM O INFANTE D. HENRIQUE!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Há 2.395 anos, o grande filósofo grego Platão fundou, em Atenas, a sua Escola de Filosofia chamada “Academia”, porque ele dava as aulas, ao ar livre, num jardim chamado “Academus”. Os seus alunos chamavam-se “peripatéticos” porque caminhavam à volta do jardim. Hoje não existem vestígios nenhuns da Escola de Platão, mas ninguém duvida que ela existiu.

Há 2.345 anos, Aristóteles, o aluno mais famoso de Platão, começou a sua Escola de Filosofia, num jardim chamado “Lyceum”, e daqui nasceu o nome Liceu que se usa pelo mundo fora. Hoje não existem nenhuns vestígios do “Lyceum de Aristóteles”, mas ninguém duvida da sua existência.

Há 580 anos, em 1418, o Infante Dom Henrique, que foi Duque de Viseu, Administrador da Ordem de Cristo e Governador do Algarve, fundou a Escola de Navegação em Sagres, ao sul de Portugal. Ainda hoje existem os edifícios da Escola Náutica e a gigantesca Rosa dos Ventos, no Promontório de Sagres, a confirmar, irrefutavelmente, que a Escola Náutica de Sagres existiu.

O Infante D. Henrique foi a figura portuguesa que mais influenciou os destinos da história gloriosa de Portugal. A Escola de Navegação em Sagres tornou-se o Centro Científico do mundo do século XV. Foi na Escola de Sagres que se estudou profundamente a navegação por meio da Astronomia (Estrela Polar e o Cruzeiro do Sul), as correntes marítimas do Atlântico e os ventos dominantes, (no Norte --> no sentido dos ponteiros do relógio; no Sul --> contra relógio) e se impulsionou ao mais alto nível a cartografia portuguesa.

A MINHA LUA-DE-MEL

A minha noiva nasceu em Santana de Cambas, concelho de Mértola, distrito de Beja. Portanto, é alentejana. Ambos os pais dela eram professores de instrução primária e ela também tirou o mesmo curso na Escola do Magistério Primário de Faro. Porque o pai era oriundo do norte de Portugal, ela veio para o norte ensinar e eu lancei-lhe o anzol e casámos na Sé do Porto, em 17 de Setembro de 1960.

Como já naquele tempo eu me interessava pelo estudo dos Descobrimentos portugueses, concordámos em passar a nossa lua-de-mel no Algarve. Já lá vão 38 anos! Mas que enorme diferença existe agora no Algarve! Basta dizer que naquela altura só havia, em todo o Algarve, apenas dois hotéis, um na cidade de Faro e outro em Portimão.

A minha noiva tinha-me dito maravilhas do Algarve, do grande contraste que existia com o norte, mas eu também quis juntar o útil ao agradável, e verificar os sete castelos algarvios que existem na Bandeira de Portugal, ver o Castelo de Castro Marim, primeira sede da Ordem de Cristo, assim como Tavira, naturalidade dos Corte Reais, Lagos, donde saiu Gil Eanes e, claro, o Promontório de Sagres. Cumprimos à risca o nosso plano e valeu a pena!

A paisagem algarvia, as praias, as vilas e cidades eram naquele tempo um sossego e de uma paz impressionantes! Nas estradas viam-se mais burrinhos e carroças do que automóveis, muitos gerânios e medronheiros nas bermas. Fiquei com a impressão de que o Algarve tinha estado a passar uma sesta muito duradoira, de centenas de anos!

Confesso que, à medida que nos aproximávamos do Promontório de Sagres, sentia uma grande expectativa, por ir visitar pela primeira vez a Escola Náutica do Infante D. Henrique!

No nosso Peugeot 403, chegámos ao Promontório de Sagres, no dia 24 de Setembro de 1960. Não estava lá ninguém. A porta da fortaleza encontrava-se aberta e não pagámos entrada. O recinto da famosa Escola do Infante D. Henrique tinha um aspecto abandonado e de desprezo! No chão só se viam ervas daninhas, secas como se aquele lugar sagrado fosse um deserto! Todos os edifícios estavam fechados, mesmo a capela de Nossa Senhora da Graça!

O relógio de sol, no patamar da fortaleza, não mostrava as linhas horárias, porque estavam cobertas de musgo. A gigante Rosa dos Ventos, em frente ao edifício da Escola, apresentava os cordões de ferro partidos e enferrujados e os pilares de pedra que delineavam a circunferência estavam adornados de ervas bravas.

Era um lugar ermo! Impressionante pela sua solidão e pelo seu tamanho grande! Até aterrador! Calculei o que seria aquele promontório, tão desolado durante o Inverno, com vento a zunir, acompanhado de raios e trovões, tornando as ondas do Atlântico furiosas, espargindo a sua água salgada pelas paredes altas do cabo! Que lugar medonho! Seria assim no tempo do Infante D. Henrique? Seria ali que o Navegador passou tempos infinitos a contemplar aquele mar tenebroso e pensar como é que os seus marinheiros deviam fazer para conquistar e dominar aquele gigante mar desconhecido?!

 

 


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  • Updated:
    November 18, 2011