RETRATO FÍSICO E CARÁCTER

E agora vêm os versos que nos dão em pormenor a aparência, o retrato físico e o carácter do famoso navegador Miguel Corte Real:

"É amável com pessoas amáveis, brando com brandos amigos, mas com os arrogantes torna-se bastante ríspido."

"Não aprendeu as belas letras na infância, mas ensinado pelo seu talento tudo sabe."

"De aspecto, é sereno e belo, e mais belo é o seu íntimo. Da sua boca eloquente jorra uma graça variada".

"Gosta de dar muito, com mão larga, a quem o merece e piedosamente se esforça por não prejudicar a quem o não merece".

PORTEIRO-MOR

Qual era a posição oficial de Miguel Corte Real? É Cataldo Sículo que nos informa:

"Talvez queiras saber qual é o ofício deste Senhor?

"O Rei confia-lhe todos os encargos. Principalmente como porteiro-mor do palácio sobre as muralhas, é ele quem, no meio do silêncio geral, manda trazer os alimentos."

"A este homem tão leal confia D. Manuel com razão os seus segredos, tão grande é a virtude que nele reside, tão grande a honra."

GUERREIRO

E agora vem a parte guerreira de Miguel Corte Real que era totalmente desconhecida:

"Passou às costas africanas em navios. Era o comandante. Preparava-se para aí conquistar uma fortaleza, pondo-lhe cerco".

"Fosse inveja, fosse o fado iníquo, a multidão dos companheiros entrega-se a vergonhosa fuga, sob a pressão do inimigo".

"Ele com uma pequena força , faz frente aos africanos que se precipitam ao ataque e retira coberto de sangue, depois de grande morticínio."

E o poeta Cataldo conclui o seu poema comparando o heroísmo de Miguel Corte Real aos heróis da Antiga Grécia.

O Professor Costa Ramalho faz uma análise pormenorizada dos vários dados revelados neste poema. Explica a origem do nome Corte Real que foi dado à Vasco Eanes, um dos antepassados de Miguel, pelos grandes serviços prestados à Corte Real presidida pelo Rei D. Duarte.

Confirma a posição de porteiro-mor da Casa Real, portanto uma das posições mais altas na Corte Portuguesa.

Explica que, apesar do verso que diz que Miguel Corte Real “Não aprendeu as belas letras na infância”, isso não quer dizer que o navegador era analfabeto! Quer dizer, isso sim, que Miguel Corte Real não sabia Latim. E o Professor Costa Ramalho acrescenta que isto é muito importante para darmos razão ao facto de Miguel Corte Real não ter deixado nenhuma mensagem em latim gravada na Pedra de Dighton. Esta conclusão é igual à que afirmei no meu livro “Portuguese Pilgrims and Dighton Rock”, publicado em 1971 e esgotado desde 1976.

Infelizmente, a mensagem que o psicólogo-historiador, Prof. Delabarre, da Universidade de Brown, sugeriu em 1928 de que Miguel Corte Real tinha deixado na Pedra de Dighton uma mensagem em latim = “V(oluntate) Dei Hic Dux Ind(orum)”, significando: “Chefe dos Índios aqui”, é uma FANTASIA que continua a ser repetida em muitas notas de rodapé, que na realidade são aquilo a que eu chamo “notas de chulé”!

Outra análise importante do poema de Cataldo é o facto de ficarmos a saber que Miguel Corte Real também foi guerreiro nas campanhas do Norte de África. Isto é muito importante para explicar a assinatura duma carta dele em 1501 dirigida ao Rei D. Manuel, que o próprio historiador Henry Harrisse teve dificuldade em entender, porque não tinha dados que explicassem que Miguel Corte Real jamais tinha estado em Málaga, Espanha, no ano antes de partir para a América do Norte, em 10 de Maio de 1502, à procura do irmão Gaspar Corte Real, que não tinha regressado a Lisboa da sua segunda viagem em 1501.

TEORIA PORTUGUESA DA PEDRA DE DIGHTON

O Professor Costa Ramalho conclui o seu trabalho desta maneira:

“Durante anos, a teoria prevalecente foi a do psicólogo, tornado historiador, Professor Edmund Burke Delabarre, que descobriu o nome de Miguel Corte Real, o Escudo Português e a data de 1511. Posteriormente (1951), um professor universitário de Português, José Dâmaso Fragoso (na New York University), revelou a existência de heráldica lusa no rochedo - três cruzes da Ordem de Cristo. E um médico de origem portuguesa, estabelecido nos Estados Unidos, o Dr. Manuel Luciano da Silva, tem sido o ardente propagandista da teoria de que o rochedo de Dighton é um documento histórico da presença de Miguel Corte Real nas costas da América do Norte. Ele nega a mensagem em latim, reduzindo o texto da inscrição ao nome do navegador e a uma data, 1511, além de um Escudo Português e três Cruzes da Ordem de Cristo”.

Fez, no dia 18 de Dezembro de 1998, OITENTA ANOS que o Professor Delabarre lançou a teoria portuguesa das inscrições portuguesas gravadas na Pedra de Dighton. Durante estas oito décadas, TODAS as investigações só têm servido para consolidarem cada vez mais a Teoria Portuguesa da Pedra de Dighton.

Claro que fiquei satisfeito com este artigo original do Professor Costa Ramalho, que chegou a ser “Visiting Professor” de Português na “New York University”, entre 1959-1962. Naquele tempo eu já era médico. Mas a “New York University” foi a minha primeira “alma matter”, onde eu me formei em biologia em 1952.

Devemos realçar ainda mais a importância da investigação original do Professor Ramalho pelo facto de ser BASEADA na ANÁLISE DUM DOCUMENTO CONTEMPORÂNEO DE MIGUEL CORTE REAL. Parabéns, ao ilustre Mestre!

 


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  • Updated:
    November 18, 2011