JUDEUS PORTUGUESES

Depois desta longa introdução geográfica, mas necessária, passei a mostrar diapositivos sobre Portugal. O primeiro foi do Castelo de São Miguel, em Guimarães, onde nasceu o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Salientei que o conselheiro deste rei se chamava Egas Moniz e era um judeu sefárdico português. Mostrei também a seguir uma fotografia colorida do Professor Egas Moniz, natural de Avanca e descendente directo do primeiro Egas Moniz e que, passados oitocentos anos, ganhou, em 1949, o primeiro Prémio Nobel da Medicina para Portugal por ter descoberto a lobectomia e a angiografia.

Coimbra, a cidade onde foi fundada a primeira Universidade de Portugal, em 1290, pelo Rei D. Dinis e também onde se concentraram os Judeus Sefárdicos Portugueses, “médicos formados na nobre e vetusta Universidade de Coimbra”, onde também se formou o Dr. Luciano da Silva, graduado pela mesma Faculdade de Medicina em 1957.

Os médicos sefárdicos portugueses foram médicos pessoais dos vários Reis de Portugal. Abraão Zacuto foi médico do grande rei D. João II. Era também astrónomo e foi ele que, como matemático, escreveu o “Almanach Perpetuum” e fez também as Tábuas de Navegação, que mais tarde foram usadas por outro judeu sefárdico português, de nome Cristóvão Cólon, quando fez a viagem às Caraíbas em 1492 e também pelo navegador Vasco da Gama.

Foi durante a estadia de Zacuto em Tomar - nome judaico que quer dizer “montanha” - que se construiu a Sinagoga do Arco ou do Zarco, que está agora aberta ao público e da qual mostrei diapositivos coloridos.

Outro judeu que fez parte da armada de Cristóvão Cólon chamava-se Mestre Luís de Torres e, além de ser poliglota, era também judeu sefárdico português. Isaac Abravanel foi médico do Conde de Bragança, mas, como o Conde foi condenado à morte por estar envolvido numa conspiração contra o Rei D. João II, este médico sefárdico português fugiu para a Turquia, chegando a ser médico particular do Sultão Mahmud II, o Grande.

José Vezinho (de Viseu) foi também médico do rei. Era matemático e astrónomo e trabalhou também nos projectos de navegação da Escola de Sagres. Este judeu sefárdico português foi membro da Comissão que reviu o plano de Cristóvão Colombo para chegar à Índia indo pelo ocidente.

Até à Inquisição (1497), TODOS os reis de Portugal foram tratados por médicos sefárdicos portugueses! Duma maneira geral, todos os reis de Portugal trataram bem os judeus sefárdicos portugueses, porque lhes reconheciam muita capacidade profissional, não só no campo da medicina e da cirurgia, mas também na matemática, nas finanças, como banqueiros e no artesanato.

INQUISIÇÃO

Com o casamento do Rei D. Manuel I e a filha dos Reis Católicos de Espanha, em 1496, a Inquisição que tinha começado em Espanha em 1492 iniciou-se em Portugal em 1497.

Com esta medida trágica, começaram a sair de Portugal todos os judeus que eram ricos e que tinham meios para o fazer. Até o famoso Abraão Zacuto foi forçado a sair de Portugal! A lei da Inquisição mandava que todos os judeus se convertessem ao catolicismo ou então estavam sujeitos a serem queimados em Auto-de-Fé. Por esta razão, muitos dos judeus sefárdicos portugueses fugiram para as montanhas da Beira Alta e da Beira Baixa, tornando-se cripto-judeus.

Os que se converteram ao Cristianismo passaram a ser chamados “marranos” (de porcos) ou “conversos”, ou Cristãos novos. Foi mostrado o diapositivo do auto-de-fé na Praça que é hoje a Praça do Comércio em Lisboa e é sem dúvida a página mais negra da História de Portugal!

O médico mais célebre do século XVI foi o judeu sefárdico Garcia de Orta, que foi um brilhante professor e escritor na Escola Médica de Goa. Mesmo depois de morto, os inquisidores desenterraram-no para queimar os seu esqueleto num auto-de-fé!


EXPULSÃO DOS JUDEUS

Com a expulsão dos médicos sefárdicos portugueses, assim como dos vários eruditos judaicos, Portugal sofreu uma perda terrível de valores intelectuais e até à data ainda não conseguiu recuperar desse “desesperatum” (desespero). Portugal perdeu muito com a Inquisição, mas as outras nações ganharam com a inteligência e qualidades profissionais dos judeus sefárdicos portugueses.

É depois da Inquisição que passamos a ver nomes famosos de médicos sefárdicos portugueses em todos os países da Europa, não só como professores das faculdades de medicina, mas até médicos privados dos chefes do governo, reis e rainhas.

Assim, vemos nomes de médicos portugueses em lugares de destaque, tais como Costa, Da Costa, Bueno, Cardoso, De Castro, Da Silva, Fonseca e Nunez.

João Rodrigues Castelo Branco, também conhecido por Amatus Lusitanus, além de um bom médico foi botanista em Antuérpia e chegou a ser professor de medicina em Ferrare. Chegou a ser o médico que tratou do Papa Julius III. Daniel Fonseca fugiu para França e depois foi médico do Príncipe de Budapeste. Judah Abravanel foi para Nápoles, Génova e Veneza, tornando-se um médico famoso.

Filoteu Montalto, depois de fugir de Portugal, foi para Florença chegando ser médico particular do Duque Frederico. Depois, foi chamado para tratar da Rainha Catarina de Medicis, em Paris, França, que sofria de enxaquecas e ele receitou-lhe pó de tabaco, que, naquele tempo, “eram as ervas milagrosas”. Jacob Martinho foi para a Itália, onde chegou a ser professor de medicina na Universidade de Roma e médico do Papa Paulo III.

Rodrigues da Fonseca foi professor de Medicina em Pisa e Pádua. Fabrísio de Água Pendente foi professor de anatomia em Bolonha e foi ele que descobriu as válvulas nas veias profundas das nossas pernas e coxas. Rodrigo de Castro foi para Hamburgo, na Alemanha, chegando depois a tratar da Rainha Cristina da Suécia. Uma grande parte dos judeus sefárdicos portugueses fugiu para Amsterdão, construindo a maior Sinagoga que há no mundo fora de Israel.

É nesta cidade que encontramos muitos nomes de médicos sefárdicos portugueses, como Fernando Mendes, que depois foi para Londres, chegando ser médico particular da Rainha Catarina de Bragança, mulher do Rei Carlos II, que sofria de gota; este médico judaico sefárdico português receitou-lhe, pela primeira vez na Inglaterra, a colchicina, medicamento que ainda se usa hoje no mundo inteiro para o tratamento do ataque de gota! Os judeus sefárdicos portugueses foram para o norte de África, para a Turquia, Holanda, Itália, França, Alemanha e Inglaterra. Foram os judeus sefárdicos portugueses que ensinaram os ingleses a fritar peixe, porque levaram com eles o azeite português!

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  • Updated:
    November 18, 2011