Aqueles que emigraram, ou são filhos/ netos/ bisnetos... de emigrantes, e que aprenderam os costumes das raízes - da cultura - orgulham-se mais dos seus antepassados e suas manifestações culturais. Eles demostram viva e orgulhosamente esse lado pitoresco através de actividades que reflectem os egrégios avós, como, por exemplo, a sobrevivência do idioma português - em todos os seus feitios (inclusivamente o “portinglês”) - que é, na verdade, o/a melhor embaixador/embaixatriz da cultura do povo, e a presença em diversos ambientes acolhedores, e que hoje é utilizada por mais de 200 milhões de falantes em oito países lusófonos, inclusivé ex-territórios pequenos e tantos outros na Diáspora por todos os quadrantes do globo.
A identidade da pessoa associa-se à auto-apreciação dela e ao ambiente já existente e criado ou adulterado por necessidade. E, na medida em que as coisas vão mudando, vamos mudando um pouco também, mas não por completo, porque, pelo menos no caso do e/imigrante, a sua vida - a sua maneira de ser - no seu-país-fora-do-seu país - tem muito a ver com tudo que ele trouxe consigo na bagagem da vida de outrora. Tem tudo a ver com a sua maneira de ser.

Vale manter isso tudo vivo para se viver em melhor estado entre dois, ou mais, mundos criados pela coexistência forçosa da e/imigração. Embora haja quem diga que o materialismo serve como a própria sobrevivência de muita gente, há também quem diga - até mais enfaticamente - que “o homem não vive só do pão”. E o coração? E o espírito? E a alma? E a saudade?! E Deus...

Os homens e mulheres são gente e não máquinas de dinheiro, trabalho, egoísmo... São seres repletos de sentidos, dores, alegrias, lágrimas, regozijos, cultura... E o “matar saudades” ao português é fazê-lo viver melhor. Manifestação saudável - em corpo, mente e espírito. Manifestação humana sentimental. Manifestação portuguesa de raíz. Manifestação de relevo extraordinário perante e/imigrantes fora das suas águas naturais...

O e/imigrante é produto do seu ambiente - ou, melhor, dos seus ambientes - como todos – e, embora possa não apreciar tudo da sua própria vida passada pré-emigratória - por motivos absolutamente justificáveis - ainda continua a gostar de muito. E é precisamente esse “muito” que o ajuda a viver mais tranquilamente num ambiente mais seguro e pacífico.

Ele também gosta da mudança, e do bem que ela pode proporcionar quanto ao melhoramento da vida, muito em especial a paz e o amor - calor humano obrigatório em terras por vezes desequilibradamente frias de diversos sentidos - que surgem da justiça social exercida por ilustres cabeças de estado que sabem dar valor justo à vida de todos os seres humanos.

Afinal, o mundo não pertence - nem nunca deve pertencer - aos caprichos de fachistas, mas, sim, ao Povo; aliás, a todos a remar na mesma direcção e no mesmo barco: o célebre “N.R.P. Querer-Viver-Haja-Saúde-Vamos-Embora-SPF!”

Há gente que atribui “culpas” a outros de serem antiquados, arcaicos, ou da velha guarda, e até cheios de complexos. Há ainda gente que não sabe, nem nunca saberá, o que verdadeiramente custa (e já custou a muitos e muitos) a liberdade.

Isso não vai mandar terramotos ou vulcões destruidores pelo mundo fora. Nem abalos desses tão minúsculos impressionarão minimamente os sentimentalistas - apreciadores de costumes bonitos identificados com a maneira de ser de um povo, porque a saudade chama. E, quem não a mata, morre - de espírito, ou mais ainda... Que vivam, e que deixem viver...

Que os meninos de hoje aprendam dos pais, avós, bisavós e não só. Que aprendam muito a sério que a liberdade sempre foi caríssima - e continuará sempre a sê-lo - e que deve, e tem mesmo que, ser usada com juízo, respeito e moderação; não abusada disparadamente sem fronteiras... Embora haja quem não queira aceitar a realidade, a verdade é que tudo tem limites, menos os céus e os sonhos voadores. E dentro dos céus e dos sonhos, procura-se a esperança em terra firme... A cabeça é que manda, enquanto o coração anda sempre a espiar. Aliás, não apenas cabecinhas dos jovens, mas, sim, cabeças dos adultos - dos pais e não só. Pois, dizem que, até certo ponto, os filhos espelham os pais—p’ró bem ou p’ró mal...

O que custou/custa/custará a liberdade a sério? Que sempre abracemos o 25 de Abril. Que seja sempre respeitado por todos, e que os sacrifícios de tantos jamais sejam esquecidos pelos anos fora. Que venham sempre cravinhos rubros...

Vale a pena? O nosso ilustre Fernando Pessoa - no “Mar Português” - esta convicto (e eu também!) de que “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Pura e simplesmente. Doa a quem doer...

São simplesmente saudades, e pronto! E quem se encontra prolongadamente bem afastado do seu berço de origem - por qualquer que seja o motivo - a saudade multiplica-se extraordinariamente de forma apenas percebida - e sentida - pelo próprio imigrante e mais ninguém, quer queiram quer não - “pure and simple”! �ter all”, a cultura de um povo é o retrato do próprio povo. O próprio povo espelha a cultura. E a sua maneira de viver, e de querer viver. E, afinal, a sua maneira de ser...

Sempre p'rà frente!   

Adalino Cabral
Nova Inglaterra - EUA 
Domingo, dia 25 de Abril de 2004.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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  • Updated:
    November 18, 2011